Porque a noite
Porque a noite se estende na solidão das coisas
murmúrios de palavras vãs batem as palmas à lua
às vezes o céu está estrelado e tudo se perpetua
é quando o amor é mais forte e os corpos mais ardentes
quando as bocas mais perto do peito navegam em leitos de
paixão
como se a doçura do tempo apagasse de nós a razão
como se corpos colados imunizassem cânticos ali inventados
em cenários invisuais de peitos apaixonados
porque a noite
luzes gémeas de prazer no oásis do pulsar das nossas veias
martelando a nossa
alma apaixonante e desprotegida
com horas batendo nos casacos dependurados da vida
António José da Silva, escritor e teatrólogo português
1705-1739
Foto: https://www.pinterest.pt/cinafraga/